João Rasteiro – Levedura

Levedura – A Trilogia do Silêncio
Sobre o livro:
Maria Irene Ramalho:
Todo o poeta lírico na cultura ocidental, sempre cativa do belo mito da originalidade, se re-imagina um desvio: do mundo, da vida, da norma, do saber, do sagrado, da língua, da tradição. E da própria poesia, como a melhor forma de a celebrar – à poesia. João Rasteiro não é excepção. […] A poesia de João Rasteiro demonstra, aliás, claramente aquilo que eu tenho vindo a dizer há muito tempo: a poesia escreve-se na po­esia. Poderíamos até dizer que cada vez mais a poesia “recicla” o poético.
Rita Taborda Duarte:
O que parece sobressair nestes poemas, como sua reiteração sucessiva, é a própria lingua­gem, a própria escrita — que resiste, por si mesma, fazendo-se tom, mais do que tema — como um espaço de memória contra a doença. […] João Rasteiro caminha por um trilho que tem sido sempre o seu; um percurso que se constrói so­bre a memória poética, por vezes recuperando-a pela citação, por outras rasurando-a num braço de ferro irónico com essa mesma herança cultural que nos molda e informa.
Fernando Guimarães:
Há aqui o que se poderia entender como um encontro ou sobreposição de contrários, como se, ar­rastadas rapidamente pelas imagens, ficassem “as mãos ungidas na corrente da goiva,/ a penumbra e a claridade/ a nudez, a vindoura coagulação”. Seja como for, institui-se neste[s] poema[s] uma espécie de anti-evan­gelho, onde se deflui, imageticamente, para uma dispersão verbal, para um encontro das “nascentes exorbitadas das perplexidades” que algo tem a ver com uma libertação surrealizante ou, até, abjec­cionista, como se assim encontrássemos o “esplêndido cântaro de purulência”.
José Manuel de Vasconcelos:
No ciclo de poemas que constitui este livro, fala-se para um tu que cada vez mais é opacidade, que não pode compreender que está ainda na vida e está já separado dela, sobre o qual vai descendo uma cortina de incompreensão que, pouco a pouco, transforma em mera face o que foi um rosto vivo: «A noite vem-te de dentro e és agora a perversa encenação divina», lê-se num dos versos mais amargos e perturbantes deste livro.
Fernando de Castro Branco:
Este não é um livro triste ou desesperado, antes um livro meditativo, melancólico, estóico, que assenta na efemeridade humana, que a palavra poética procura, sempre inconsequentemente, reverter. Age nesse lugar indiviso entre a racionalidade e a demência, o real e o onírico, o concreto e o abstracto. O eco dialogal, coloquial, mas refinadamente esteticista, de António Nobre parece repercutir em expressões perpassadas por afectividade e poesia, construindo uma sugestiva dicção híbrida.

João Rasteiro (Ameal – Coimbra, 1965), poeta e ensaísta. Licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade de Coimbra, integra actualmente a Direcção do P.E.N. Clube Português. Integra ainda os Conselhos Editorias das Revistas DEVIR – Revista Ibero-americana de Cultura e Folhas – Letras & Outros ofícios.
Publicou em diversas revistas e antologias em Portugal, Brasil, Itália, França, Espanha, Finlândia, República Checa, Hungria, Moçambique, México, USA, Colômbia, Nicarágua e Chile, possuindo poemas traduzidos para o espanhol, italiano, catalão, inglês, francês, checo, japonês, finlandês, húngaro e occitano.
Obteve vários prémios, mormente a “Segnalazione di Merito” Premio Publio Virgilio Marone, Itália, 2003 e o Prémio Literário Manuel António Pina, 2010. Foi um dos 20 finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura (Poesia), 2012.
Livros: A Respiração das Vértebras, 2001; No Centro do Arco, 2003; Os Cílios Maternos, 2005; O Búzio de Istambul, 2008; Pedro e Inês ou As madrugadas esculpidas, 2009; Diacrítico, 2010; A Divina Pestilência, 2011; Elegias, 2011; Tríptico da Súplica (Brasil), 2011; Pequeña Retrospectiva de la Puesta en Escena (Espanha, bilingue), 2014; Salamanca o la Memoria del Minotauro (bilingue, 2014); Solstício de Dezembro (Ed. restrita de autor, 2014); acrónimo, 2015; Ruídos e Motins, 2016; O gosto solitário do orvalho, 2016; a plaquete, “Natal de quê? De quem?”, 2016, 2017, 2018, 2019; A Rose is a Rose is a Rose et Coetera, 2017 (2º ed. 2018); Eu cantarei um dia da tristeza (e-manuscrito, 2017); Poemas en Punto de Hueso: 2001-2017 (Espanha, bilingue, 2017; 2º ed. 2019), Levedura, 2019 e Governadores de Orvalho (contos), 2020.
Em 2009 integrou o livro “O que é a poesia?” (Brasil), organizado pelo poeta Edson Cruz.
Em 2012, 2017 e 2018 integrou, respectivamente, as antologias, “Corté la naranja en dos”, (poesia portuguesa contemporânea, México, Ediciones Libera – compilação e tradução de Fernando Reyes da Universidade Nacional Autónoma do México), “Voces de Portugal. Once poetas de hoy” (Colección Series Mino, 2017 – tradução e coordenação de Pedro Sánchez Sanz) e, a antologia sobre a literatura portuguesa, em número especial organizada e editada pela revista Luvina, revista literária da universidade de Guadalajara, México, no âmbito da Feira do livro de Guadalajara em que Portugal foi o país convidado.
Em 2009 e 2018 organizou antologias dedicadas à poesia portuguesa contemporânea, respectivamente: “Poesia Portuguesa Hoje” (Arquitrave, Colômbia) e “Aquí, en Esta Babilonia” (Amargord, Espanha).

Integrou, desde a sua fundação, o “Cabo Mondego Section of the Portuguese Surrealism”.
Tem participado em diversos festivais literários (essencialmente de poesia), tanto em Portugal, como no estrangeiro, bem como na realização de Oficinas de Escrita Criativa, nomeadamente com os mais novos, em diversas escolas do país.
Em 2017, o grupo ‘Os Controversos’ (com encenação e adaptação dramatúrgica de Ricardo Kalash) levou à cena a peça ‘A rose is a rose’, a partir do livro “A rose is a rose is a rose et coetera” (Edições Sem Nome, 2017).
Tem participação diversa (letras), em vários CDs de Fado (Canção) de Coimbra.
Vive e trabalha em Coimbra (Casa da Escrita / Município de Coimbra).
Graça Capinha (FLUC/U.C.), afirma que a poesia de João Rasteiro: “é uma poesia do corpo, físico e essencialmente do corpo da linguagem, com influências que vão desde Herberto Helder a Gertrude Stein”.

6.00

Esgotado

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UsernameBid AmountDate
c********l6.002022-04-25 22:00:16
Start auction5.0023/4/2022 12:00:00

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